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Boletim nº12

Aos: Beneficiários do Plano Saúde Petrobras

De: Conselheiros Fiscais do Plano Saúde Petrobras — Tereza & Coy

Seus Conselheiros eleitos Tereza Soares e Linaldo Coy entendem que você, beneficiário, tem o direito de saber como o plano está administrado. Por isso, fizemos esta análise técnica sobre o passivo atuarial do Plano Saúde Petrobras e estamos compartilhando as informações de forma simples e direta.

A análise foi elaborada com base exclusivamente em informações públicas das Demonstrações Financeiras e Sociais 2025 da Petrobras (exercício findo em 31 de dezembro de 2025), disponibilizadas ao mercado em conformidade com as normas da CVM e IFRS. Portanto, todos vocês têm acesso a essas informações. Dessa forma, registramos que não houve acesso a dados sigilosos ou a trabalhos de auditoria independente.

O que é o passivo atuarial e por que ele importa para você?

Imagine que você fez uma promessa de pagar a faculdade do seu filho durante 5 anos. Você não precisa pagar tudo hoje, mas sabe que terá que honrar esse compromisso no futuro. O “passivo atuarial” é algo parecido: é o valor que a Petrobras se comprometeu a pagar pelos seus benefícios de saúde (AMS) e previdência (Petros) no futuro.

Os Conselheiros Eleitos Tereza Soares e Linaldo Coy, do Conselho Fiscal da APS, fizeram uma análise técnica aprofundada das Demonstrações Financeiras 2025 da Petrobras para entender melhor esses números e trazer essa informação até você, beneficiário, de forma clara e transparente.

Plano AMS — Saúde Petrobras

O que analisamos

Fonte: DF 2025

O passivo atuarial do Plano AMS saltou de R$ 46,4 bilhões em 2024 para R$ 64,2 bilhões em 2025. Isso representa um aumento de R$ 17,7 bilhões (+38,2%) em apenas um ano!

Para entender melhor

Esse aumento decorreu, entre outros fatores, da elevação da premissa de inflação médica, que passou de 13,7% para 16,1%, e da redução da taxa de desconto atuarial, de 12,9% para 11,4%.

Essas duas premissas influenciam diretamente a mensuração do passivo: quanto maiores os custos futuros estimados com saúde e menor a taxa utilizada para trazê-los a valor presente, maior tende a ser o passivo atuarial.

O que isso significa na prática?

A Petrobras reconheceu um efeito negativo de R$ 15,6 bilhões diretamente em seu Patrimônio Líquido. Esse efeito não impactou o lucro do exercício, mas reflete o aumento do valor presente dos compromissos relacionados aos benefícios de saúde.

Ano Passivo AMS Variação
2024 R$ 46,4 bilhões —
2025 R$ 64,2 bilhões +38,2%

Sustentabilidade do Plano Saúde Petrobras

A partir de março de 2026, a APS (operadora do plano de saúde) começou a cobrar dos beneficiários uma parte dos custos administrativos. Antes, a Petrobras pagava tudo sozinha. Agora, a divisão é 70% Petrobras e 30% beneficiários — a mesma regra que já existia para as despesas médicas.

Como funciona na prática

Antes: se o plano gastava R$ 100 em custos administrativos, a Petrobras pagava R$ 100.

Agora: com o advento do ACT-2025, a Petrobras cobre R$ 70 e os beneficiários dividem R$ 30 entre si.

Essa mudança ajuda a aliviar os custos da Petrobras e contribui para a sustentabilidade do plano, mas também produz reflexos no bolso dos beneficiários.

Por que o monitoramento é importante?

Imagine dirigir um carro sem painel

Você não saberia se está sem gasolina, se o motor está superaquecendo ou se os freios precisam de manutenção. O mesmo acontece com o plano de saúde: sem monitorar os números, não dá para saber se ele está saudável ou se precisa de ajustes.

O que nós, Conselheiros, monitoramos

  • Inflação médica: se hospitais e médicos aumentarem muito os preços, o plano fica mais caro;
  • Taxa de desconto: mantidas as demais premissas, quanto menor a taxa de desconto utilizada na avaliação, maior tende a ser o valor presente das obrigações atuariais;
  • Evasão da carteira: se muitos beneficiários saírem do plano, sobra menos gente para dividir os custos;
  • Envelhecimento: quanto mais aposentados, mais o plano gasta (idosos usam mais saúde);
  • Custeio administrativo: se a nova cobrança de 30% funcionar bem, o plano fica mais equilibrado.

Transparência é o caminho

Falar sobre o futuro do Plano Saúde Petrobras exige mais do que observar indicadores isoladamente.

Estudos, diagnósticos e projeções sobre sua sustentabilidade precisam considerar, de forma integrada, gestão de saúde suplementar, fundamentos atuariais, evolução dos custos assistenciais, perfil e envelhecimento da população, evasão da carteira, premissas econômicas, modelo de custeio, riscos e governança.

Em um plano dessa dimensão e complexidade, conclusões sobre sustentabilidade e perspectivas futuras exigem base técnica consistente, dados confiáveis e conhecimento especializado.

Por isso, o papel da fiscalização não é produzir previsões simplificadas, mas acompanhar criticamente os indicadores, questionar premissas, identificar riscos e contribuir para que as decisões sejam tomadas com responsabilidade, transparência e visão de longo prazo.

O passivo atuarial da AMS cresceu significativamente em 2025 (+38,2%). Esse aumento merece atenção, mas não significa, por si só, que o plano esteja em risco imediato. O indicador não deve ser analisado isoladamente nem utilizado, por si só, para concluir sobre a sustentabilidade futura do plano.

A avaliação responsável exige compreender conjuntamente suas causas, premissas atuariais, comportamento dos custos, perfil dos beneficiários, modelo de custeio e demais riscos que podem afetar o Plano Saúde Petrobras.

É esse acompanhamento técnico, permanente e responsável que deve orientar a atuação dos Conselheiros.

Fiquem atentos aos próximos boletins!

Os seus Conselheiros no Conselho Fiscal da APS continuarão acompanhando esses números e trazendo informações para você.

Seguimos à disposição para esclarecimentos e apoio, seja pelos grupos de WhatsApp, por telefone celular ou por meio de reuniões virtuais e presenciais. Seguimos juntos na defesa dos interesses de todos os beneficiários!

O compromisso permanece: defender, fiscalizar e lutar por um plano de saúde cada vez melhor para os beneficiários.

Rio de Janeiro (RJ), 17 de agosto de 2026

Conselheiros:
Tereza Soares e Linaldo Coy

www.seusconselheiros.com.br